top of page

Tudo que você precisa saber sobre IPO

  • Foto do escritor: LEMF Liga de Empreendedorismo e Mercado Financeiro
    LEMF Liga de Empreendedorismo e Mercado Financeiro
  • 1 de out. de 2021
  • 9 min de leitura

O que é um IPO?

Uma Oferta Pública Inicial (do termo em inglês Initial Public Offering) é o processo no qual uma determinada empresa decide abrir capital publicamente para vender parte de suas ações pela primeira vez.

No mercado, o IPO é considerado como um verdadeiro divisor de águas para as companhias médias. Isso porque elas têm a ambição de crescer e se tornarem grandes. E, acontece porque, ao se fazer uma oferta deste tipo, elas abrem mão de parte de sua operação para captar acionistas. Ou seja, quem compra os papéis negociados na bolsa também se torna dono de uma parte do negócio.


Quem pode fazer um IPO?

Para fazer um IPO, uma empresa deve cumprir uma série de requisitos legais e regulatórios. Precisa, por exemplo, estar juridicamente constituída como uma “S/A”, ou sociedade anônima, em que seu capital é dividido em ações (e não em cotas, como no caso das companhias limitadas).

A empresa deve ainda apresentar uma série de exigências relacionadas à emissão de relatórios financeiros auditados externamente, a aspectos fiscais, a governança corporativa, e controles internos, a conformidade, a recursos humanos e também à sua própria estrutura societária.


Quando fazer um IPO?

Em geral, a empresa percebe que é o momento de fazer um IPO quando seu negócio chega a um estágio de maturidade avançado. Além disso, normalmente, a estratégia é focada na expansão do negócio. O processo de abertura de capital é longo e exige planejamento.


Onde fazer o IPO?

A companhia deve pedir o registro de companhia aberta e o registro da oferta pública de distribuição de ações junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Paralelamente, é preciso pedir a listagem e admissão das ações junto à B3, podendo escolher em qual segmento de listagem pretende ingressar (Nível 1, Nível 2, Novo Mercado, Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2), e cada opção apresenta exigências próprias de governança corporativa.


Passo a passo para abrir o IPO:

É um processo que pode levar tempo, podendo demorar até mais de um ano. Segue abaixo a listagem das etapas:

Planejamento e auditoria:

O planejamento e a preparação é um processo longo e demorado, um IPO pode levar de oito meses a três anos até acontecer, segundo cálculos de consultoras como a PWC, que atuam em operações do tipo.

Uma das razões que normalmente alongam o processo diz respeito à auditoria das finanças da empresa. A legislação exige que, para abrir o capital, a empresa apresente três anos de balanços auditados. Se a companhia já tinha por hábito auditar seus resultados – ou seja, submetê-los ao exame minucioso por uma empresa externa e independente – essa etapa fica mais fácil. Mas se esse não for o caso, pode ser necessário aguardar um novo período de 3 anos para ter os números certos em mãos.

Ainda na fase de planejamento, a companhia e seus assessores financeiros definem todas as características da operação. Isso abrange desde o volume de recursos que serão captados até a composição das ações que serão oferecidas ao mercado (se serão emitidos novos papéis ou se os antigos investidores venderam parte dos que possuem) e a valorização da companhia.

  • Roadshow:

Assim são chamadas as reuniões de apresentação da empresa e da oferta para o mercado. Esses encontros – realizados pelas instituições financeiras que assessoram a operação – costumam ser com analistas financeiros, corretoras e potenciais investidores. Eles têm a função justamente de despertar o interesse de grandes investidores a participar do negócio.

O roadshow costuma contar com a presença dos principais executivos da empresa nas reuniões, incluindo seu presidente. Elas podem acontecer no país e fora dele também, já que os investidores estrangeiros são um público importante para o mercado brasileiro. Durante os encontros, espera-se que os executivos consigam esclarecer as dúvidas dos participantes, de modo a deixá-los confortáveis com a empresa e interessados na operação.

  • Registro e listagem:

Quanto aos procedimentos burocráticos, deve-se solicitar o registro de companhia aberta junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade que regula o mercado de capitais. Em paralelo, as empresas normalmente solicitam autorização para realizar uma venda de suas ações ao público. É exatamente por se tratar de uma operação de captação de poupança popular que ela precisa ser acompanhada pela CVM.

Ao mesmo tempo, a empresa também precisa solicitar a sua listagem na B3, a bolsa brasileira. Apenas quem está devidamente listado pode ter seus papéis negociados no pregão.

Nesse processo, a companhia pode escolher em que “segmento de listagem” da B3 pretende ingressar. São cinco (Nível 1, Nível 2, Novo Mercado, Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2), e cada um faz exigências específicas de governança corporativa – como a quantidade e o tipo de informações que devem divulgar, a estrutura societária que podem ter, o tipo de ações que podem emitir e a quantidade de papéis que devem permanecer em circulação no mercado.

  • Prospecto:

O prospecto é o documento mais importante de um IPO. A proposta é que ele mostre informações essenciais para que o investidor entenda a companhia que está abrindo o capital, de modo que possa tomar uma decisão de investimento bem embasada.

As informações contidas no prospecto são, basicamente, de dois tipos: uma parte é sobre a empresa e outra, sobre a oferta em si. Elas envolvem, por exemplo, perspectivas e planos da companhia, dados sobre a situação do mercado em que ela atua, os riscos do negócio, seu quadro administrativo, as condições da operação, entre outras. Ao elaborar o documento, as companhias precisam seguir uma estrutura pré-estabelecida que determina tanto o conteúdo quanto a sua forma de apresentação.

Especificamente sobre a oferta, uma seção do prospecto acompanhada de perto pelos investidores é a que elenca os fatores de risco – seja das ações, da companhia, do ambiente econômico ou da própria operação.

  • Período de reserva e "bookbuilding":

Grandes investidores – como fundos e fundações de previdência – costumam demonstrar seu interesse por participar de um IPO durante os "roadshows". Mas para os investidores não institucionais (pessoas físicas, por exemplo), as ofertas preveem um período de reserva, que é um prazo de alguns dias em que eles podem enviar seus pedidos, indicando quantas ações da nova empresa gostariam de adquirir. Isso é feito por meio das corretoras de valores que foram cadastradas para participar do procedimento.

Uma outra etapa muito importante de um IPO é o "bookbuilding", mecanismo que considera a quantidade de ações que os investidores institucionais indicaram que querem comprar (e a que valor) para estabelecer o preço a que os papéis serão efetivamente lançados. O procedimento permite que a empresa tenha uma noção da receptividade da oferta pelo mercado. Com isso, consegue fixar um preço condizente com as expectativas gerais sobre ela.

Em uma data também prevista nos documentos da oferta, esse valor é divulgado, bem como a quantidade de ações que os investidores não institucionais de fato vão conseguir comprar. Dependendo da demanda, pode ser necessário realizar um rateio.

  • Dia D: a estreia na Bolsa:

O Dia D representa a data em que as ações da nova empresa efetivamente começarão a ser negociadas no pregão. O desempenho dos papéis nesse dia costuma ser acompanhado com entusiasmo pelos investidores, porque é um indicativo de como o mercado recebeu a operação e a companhia que passou a ser listada. Muitas vezes, as cotações disparam, um bom sinal. Em outros casos, elas podem cair.


Tipos de oferta no IPO

A oferta de ações em um IPO pode ser classificada em primária ou secundária, dependendo da origem dos papéis e do destino dado aos recursos levantados.

  • Ofertas primárias: Representam a venda de novas ações emitidas pelas companhias no mercado. O dinheiro obtido nesse tipo de operação vai para o caixa das empresas, que aumentam seu capital social. Os recursos normalmente são usados para a expansão dos negócios, por meio de novos investimentos.

  • Ofertas secundárias: Diferentemente das primárias, as ofertas secundárias são uma venda de ações que já existiam. As empresas, nesses casos, não realizam um aumento de capital. Os papéis normalmente pertencem a sócios que, por alguma razão, querem reduzir ou se desfazer de sua participação no negócio. Em vez de ir para o caixa da companhia, como acontece nas ofertas primárias, o dinheiro da operação vai para o bolso dos proprietários dos papéis vendidos.


Mas por que, de fato a empresa faz IPO?

Um IPO de sucesso resulta em uma grande injeção de capital em um curto período. O dinheiro vem dos investidores e dá mais liberdade para a organização expandir suas operações — por exemplo, investir em infraestrutura e em capital humano para aumentar sua capacidade, fazer uma mudança de estratégia, lançar novos produtos ou serviços, internacionalizar a operação e até mesmo quitar dívidas.

Além da abertura do capital passar a ser possível a venda de ações por parte dos proprietários, conseguindo arrecadar uma boa quantia para si. Outra vantagem clara de ter a empresa listada na bolsa é conseguir atrair os melhores profissionais do mercado, oferecendo o pagamento em ações com a promessa de retorno expressivo na abertura de capital.


Quais os riscos para empresa no IPO?

É necessário ter atenção: entrar no mercado de capitais significa lidar com um cenário de alta volatilidade, já que os preços das ações podem subir e descer nos primeiros dias de negociação após o IPO. Se os papéis não operarem com o desempenho esperado, a empresa também pode perder dinheiro.

Os custos são altos. Manter a operação de uma empresa de capital aberto significa somar uma série de custos adicionais, como uma equipe de Relações com Investidores (RI) para cuidar de balanços e repassar todas as informações fornecidas para o mercado.

Outro ponto que deve ser colocado na balança é a falta de sigilo nos negócios. Todas as empresas listadas na Bolsa de Valores precisam seguir algumas regras da CVM, o que significa passar mais informações ao mercado e, por consequência, para as companhias concorrentes.


Como investir no IPO?

Se depois de ler todas as informações passadas aqui, você está convencido de que investir em IPO de uma empresa específica é o que deseja fazer, vamos ao passo a passo. O investidor que deseja participar de um IPO precisa ser cliente registrado de uma corretora ou de um banco de investimento que esteja participando da operação.

Passo a passo de como investir em IPO:

1º) Escolha uma empresa:

Esse é o passo inicial e mais importante. É nesse momento que você vai avaliar o histórico e demonstrativo financeiro da empresa para ter certeza que é um bom negócio. Acompanhar algumas métricas do balanço financeiro como o ROE (Retorno sobre o Capital) ou o EBITDA (Earnings Before Interest Rates, Taxes, Depreciation and Amortization) podem te ajudar a avaliar melhores opções de investimento.

2º) Reservar as ações:

Para reservar as ações , é necessário ter uma conta em corretora de valores que esteja participando do IPO. Informe o volume financeiro que deseja comprar, de acordo com a faixa de preço estabelecida. Fique atento. Após feita a reserva, não é possível voltar atrás. Além disso, é preciso pagar uma parte do valor das ações para garantir sua participação.

3º) Preço final:

A precificação das ações é feita após a avaliação do preço inicial e da demanda pelos papéis que estão sendo negociados. O valor definido nesta etapa é o que será pago por quem reservou os papéis.

4º) Demanda Maior:

É nesta etapa que se verifica se existe uma demanda maior à oferta das ações. Se isso não acontecer, o IPO pode nem sair.

5º) Início das operações da empresa na Bolsa de Valores:

Depois de realizado o IPO, inicia-se a negociação das ações no mercado secundário. É neste momento que as ações podem ter o preço variando para baixo ou para cima.


Riscos para o investidor no IPO?

Caso ocorra uma supervalorização , o mercado pode não comprar os papéis . Se houver excesso de oferta, a cotação tende a cair. Por isso, é preciso ficar atento.

Nestes casos, não é possível usar a análise técnica (aquela baseada em gráficos do passado e do presente), o que faz com que a operação seja mais arriscada.

Para investidores pessoa física, o acesso a informações importantes é pequeno, então é preciso ler atentamente o prospecto da empresa para entender os fatores de risco.


Vantagens para o investidor no IPO?

Poder comprar as ações antes de elas chegarem ao mercado pode significar uma compra de papéis por um valor menor do que no primeiro pregão.

Além disso, quem reserva essas ações antecipadamente pode ter bons lucros nos primeiros dias de negociações na bolsa.

Caso seja feita uma análise fundamentalista, é possível ter uma expectativa mais concreta e contínua sobre a valorização das ações.


Vantagens após o IPO com a valorização das ações

1. A empresa pode fazer um follow on, ou seja. Quando suas ações valorizam, o processo de venda de ações (emissão de ações) é mais lucrativo, pois o valor a ser recebido é maior.

2. É mais fácil para a empresa vender uma parte dela, pois seu valor de mercado é maior. Esse processo se compara ao follow on

3. Vender as ações que têm em tesouraria. Quando as ações caem, a empresa geralmente compra as ações para a tesouraria da empresa.

4. Valor de Mercado. Quem dita o valor da empresa é o próprio mercado.



Referências

EXPERT XP, Invista em IPO em apenas 5 passos: saiba tudo sobre!: 2020 / XP – São Paulo, 29/11/2020. Disponível em:< https://conteudos.xpi.com.br/aprenda-a-investir/relatorios/ipo/#:~:text=Uma%20Oferta%20Pública%20Inicial%20%28do%20termo%20em%20inglês,verdadeiro%20divisor%20de%20águas%20para%20as%20companhias%20médias> .Acesso em 13/08/2021.

INFOMONEY, IPO: como funciona a estreia de uma empresa na Bolsa: 2020 / INFOMONEY.SãoPaulo,2020.Disponível_em:<https://www.infomoney.com.br/guias/ipo/ >.Acesso em 13/08/2021.

ARAKAWA, J. FIUSA, V. Como executar um IPO: o passo a passo para abrir o capital de uma empresa, LexLatin – São Paulo, 26/02/2021. Disponível em:< https://br.lexlatin.com/opiniao/como-executar-um-ipo-o-passo-passo-para-abrir-o-capital-de-uma-empresa>. Acesso em 13/08/2021.

ISMAR, B. O que é um IPO e como ele funciona?, Renova Invest – São Paulo, 22/09/2020. Disponível em:< https://renovainvest.com.br/blog/o-que-e-um-ipo/#:~:text=Em%20geral%2C%20a%20empresa%20percebe%20que%20é%20o,os%20papéis%20passam%20a%20ser%20negociados%20no%20>. Acesso em 13/08/2021.



 
 
 

Comentários


​​​​© 2021 - Liga de Empreendedorismo e Mercado Financeiro (LEMF)

Todos os Direitos Reservados

  • Instagram - Black Circle
  • LinkedIn - Black Circle
  • Facebook - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
bottom of page